A igreja e o meio ambiente

A natureza, como revelação natural de Deus, é um fator redentor para o homem. Paulo, apóstolo, sentencia que “os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”. Por isso, cuidar do ambiente que envolve o ser humano deve ser um pressuposto soteriológico e escatológico para a igreja.

A história da salvação se inicia com a criação. Deus viu tudo o que tinha feito e disse que tudo quanto criou era muito bom. A vida era plena e satisfeita em Deus. Não havia necessidade de nada.

A criação não possui o princípio do mal e não é má como acreditam os gnósticos. A criação é boa, um elemento inspirador da fé. O homem é que se tornou inclinado ao mal por causa do pecado.

Como consequência da queda no pecado, a morte entrou no mundo. Morte é separação, término da vida. De modo que a queda trouxe a separação entre Deus e o ser humano, do ser humano com o seu semelhante, e do ser humano com o restante da criação.

A separação do homem do restante da criação é percebida no mundo através da destruição da natureza, pela poluição das águas, da terra e do ar, pela extinção de várias espécies de animais e pela exploração incessante das fontes de energia natural, que estão se esgotando.

Enfim, tudo de ruim que vem acontecendo com a natureza é reflexo da condição humana de pecado e seu estado de morte em relação à natureza. O homem persegue e destrói aquilo que um dia foi lhe dado como uma riqueza para ser cuidada.

Contudo, a separação e o estado de morte do homem para com a natureza tem sua solução através da redenção em Jesus. E o que chama a atenção é que, no processo de redenção do ser humano, Jesus utiliza duas figuras terrenas para consolar e estimular o homem a ir para o céu. Em primeiro lugar a figura do paraíso: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43). O céu de Jesus  é o Éden com as portas abertas. Por causa do pecado, Deus expulsou o homem do jardim, por meio da redenção, Deus recebe de volta o homem no jardim. Em segundo lugar há a figura da cidade. Na visão final de João, o jardim se tornou uma praça da Nova Jerusalém, na qual a árvore da vida está no meio e suas folhas curam os povos (Apocalipse 21.1-5). Jesus é a porta de entrada para o jardim, ou a praça da nova cidade.

O que isso implica? Implica que hoje os redimidos devem também anunciar aos não redimidos a mesma coisa. E isso se fará também através da preservação de toda a natureza, seja ela nativa ou ornamental, esteja ela nas florestas ou nas praças das cidades, pois ela expressa o projeto final de Deus. A igreja deve entrar de cabeça na luta pela preservação da natureza e do planeta. Não se envolver nesta causa é desobediência ao chamado redentor de Jesus.

No fundo, o que há de anseio mais elevado no ser humano é o retorno ao criador e ao paraíso. A igreja é chamada a incluir em sua soteriologia e escatologia a imagem do paraíso restaurado. Ou seja, deve entender “novos céus e nova terra” como céu e terra onde os redimidos irão habitar sem a presença destruidora do pecado.

Portanto, a igreja deve orientar os crentes a uma nova ética ambiental e a se tornarem os primeiros a participarem dos debates sobre a questão ambiental, pois é a igreja que tem uma nova ótica da criação.

PASTOR ANDRÉ SANTOS ALMEIDA

* Matéria originalmente publicada em O Jornal Batista em 20 de fevereiro de 2011.

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